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Dados & IA

IA não vai substituir gestores.

IA não vai substituir gestores.

Todo mundo discute se a IA vai substituir gestores.

Quase ninguém discute o que acontece quando ela impede que novos gestores se formem.

E esse é o problema real.

O dado que deveria tirar o sono de qualquer CEO

A pesquisa KPMG CEO Outlook 2026, publicada em março de 2026 com 100 CEOs de grandes empresas americanas, revelou algo que não está nos titulares sobre inteligência artificial.

Quando perguntados sobre a maior preocupação com o impacto da IA no desenvolvimento de liderança:

Somados, 83% dos CEOs estão preocupados com algo que não é tecnologia. É formação humana.

E aqui está o paradoxo: 67% desses mesmos CEOs admitiram que ainda não redefiniram cargos nem trilhas de carreira para o contexto de IA. Ou seja: sabem que o problema existe. Não estão fazendo nada a respeito.

O pacto silencioso que se rompeu

Existia um acordo tácito em toda organização.

O profissional junior fazia o trabalho operacional, repetitivo, desgastante, mas formativo. Em troca, recebia mentoria, exposição a decisões reais e um caminho claro até a liderança.

A IA quebrou esse pacto.

O trabalho operacional que formava pessoas agora é feito pela máquina. E ninguém redesenhou o caminho.

O resultado? O junior não erra mais, porque a IA responde por ele. Não enfrenta ambiguidade, porque o modelo sugere a saída. Não desenvolve julgamento, porque nunca precisou decidir sem rede de proteção.

Como colocou um estudo publicado em março de 2026 no Journal of Experimental Orthopaedics, o risco não é apenas o "deskilling", a perda de habilidades já adquiridas. É o "never-skilling": quando a IA entra tão cedo na formação que as competências fundamentais nunca chegam a ser desenvolvidas.

Produtividade de hoje, fragilidade de amanhã

Os números de curto prazo são sedutores.

Uma pesquisa da Forbes mostrou que 77% dos funcionários dizem que a IA permite fazer mais trabalho em menos tempo. O CEO da KPMG, Tim Walsh, descreveu a nova métrica que domina as salas de diretoria: o "labor cost margin", quanto custa a mão de obra por unidade de trabalho entregue. A pressão é clara: reduzir custo, aumentar volume.

Mas enquanto os gastos globais com IA caminham para US$ 500 bilhões em 2026, os orçamentos de treinamento encolhem. E a motivação dos colaboradores atingiu mínimo de seis meses, segundo a Fortune.

A conta não fecha.

Você ganha eficiência agora. Mas está esvaziando o pipeline de liderança que vai sustentar sua operação daqui a cinco anos.

Na indústria, o risco é ainda mais concreto

No chão de fábrica, julgamento não é abstrato. É o coordenador que olha para a linha e percebe que algo não está certo antes de qualquer sensor acusar. É o gerente que decide resequenciar a produção quando o plano não se sustenta. É o líder de manutenção que prioriza intervenção com base em experiência acumulada, não só em algoritmo.

Esse tipo de competência não se transfere por dashboard. Se constrói em anos de exposição a problemas reais, decisões imperfeitas e consequências vividas.

Se o próximo gerente industrial nunca precisou tomar uma decisão difícil porque a IA sempre sugeriu o caminho, o que acontece no dia em que o sistema cai, o cenário muda ou o modelo erra?

Como a Magellan trata isso na prática

Na Magellan Consulting Group, usamos IA como ferramenta de projeto, para acelerar diagnóstico, modelar cenários e antecipar gargalos com precisão.

Mas em nenhum momento a IA substitui o julgamento do gestor. Ela alimenta a decisão. Quem decide é a pessoa.

Nos nossos programas de transformação, a lógica é deliberada:

Porque sabemos que a tecnologia muda rápido. Mas um líder que nunca aprendeu a decidir sob pressão não se forma com upgrade de software.

O ponto desconfortável

A pergunta que poucos estão fazendo não é "quantos empregos a IA vai eliminar?"

É: "quantos líderes a IA vai impedir de existir?"

Porque se você automatizar o caminho inteiro, da análise à recomendação à decisão, o que sobra para o ser humano não é liderança. É supervisão passiva.

E supervisão passiva não forma ninguém.

57% dos trabalhadores americanos já dizem que a erosão de habilidades humanas será o maior problema do mercado de trabalho em 2026, acima até do medo de perder o emprego.

O risco não é a máquina tomar o lugar do gestor.

É o gestor nunca ter aprendido a ser um.

Pergunta final:

Na sua empresa, os profissionais em formação ainda decidem de verdade, ou já estão apenas validando o que a IA sugere?

LB
Laurent Birepinte

Partner Director, Magellan Consulting Group · LinkedIn

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